Enfim vitória?
Duram anos, as pesquisas realizadas no interior do Piauí, sob o comando da arqueóloga Niède Guidon, estiveram sob suspeita. Mais do que isso a pesquisadora chegou a ser ironizada, vista com desconfiança por boa parte de seus colegas e da opinião pública, apesar de realizar um dos mais interessantes projetos de preservação da memória do Brasil. No final de 2006, porém, a divulgação de novas pesquisas apresentou argumentos que parecem reforçar sua idéia de que a ocupação do território americano é bem mais antigo do que imaginavam seus opositores.
A arqueóloga Niède Guidon riu por último. Evidencias apresentadas indicam que as ferramentas de pedra descobertas pela pesquisadora mo Boqueirão da Pedra Furada, em São Raimundo Nonato, foram mesmo feitas por seres humanos e têm entre 38 mil anos e 58 mil anos de idade. São portanto, a evidencia mais antiga da ocupação da América.
Durante mais de duas décadas Guidon,
paulista de origem francesa, foi ridicularizada por seus colegas por propor uma
idade tão antiga para os instrumentos. Mas uma análise das ferramentas da Pedra
Furada apresentada em dezembro de 2006 por Eric Boeda, da Universidade de
Paris, e Emilio Fogaça, da Universidade Católica de Goiás, silenciaram os
críticos.
O estudo de Boeda não parece deixar
mais duvidas. O Frances é considerado um dos maiores especialista do mundo em
tecnologia lítica (de pedra) pré-histórica. Ele desvendou a chamada cadeia
operária dos artefatos, ou seja a seqüência de lascamento do material, e
descobriu que aquilo foi, de fato, produzido por humanos
